Abstract
Os manguezais são ecossistemas altamente produtivos e por esta razão bastante utilizados por populações humanas que tradicionalmente vivem da mariscagem e da pesca artesanal, como é o caso da que habita o Distrito de Acupe em Santo Amaro-BA, situado na margem oeste da Baía de Todos os Santos (BTS). Entre os vários recursos utilizados, encontra-se um conjunto de crustáceos, localmente categorizados como “siris”. O presente trabalho tem como objetivo abordar a pesca desses crustáceos à luz da etnoecologia abrangente de Marques. Foram realizadas entrevistas semi-estruturadas com pescadores especialistas na sua captura, bem como com pescadores especializados em outras artes de pesca, buscando-se conhecer os pensamentos (conhecimentos e crenças) e comportamentos envolvidos na modalidade específica da pesca dos “siris”. Também foi utilizada a técnica da observação direta, acompanhando-se pescadores em suas atividades rotineiras de pesca marítima. Os resultados foram analisados sob uma ótica emicista-eticista, inclusive comparando-se os conhecimentos locais com aqueles disponíveis na literatura científica e correlacionando-se os comportamentos observados com suas possíveis implicações ambientais. Os dados obtidos evidenciaram uma forma de exploração localmente adaptada que, possivelmente, tem conseqüências etnoconservacionistas. Revelaram também que os conhecimentos possuídos pelos pescadores sobre morfologia, taxonomia, fisiologia, ecologia trófica e fenologia dos siris e sobre a dinâmica do manguezal são detalhados e, pelo menos parcialmente, compatíveis com os conhecimentos da comunidade científica.
Cite
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Souto, F. J. B., & Marques, J. G. W. (2006). “O siri labuta muito!” Uma abordagem etnoecológica abrangente da pesca de um cojunto de crustáceos no manguezal de Acupe, Santo Amaro, Bahia, Brasil. SITIENTIBUS Série Ciências Biológicas, 6, 106–119. https://doi.org/10.13102/scb8156
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