Abstract
Resumo Introdução: pessoas operadoras de caixas de supermercado foram consideradas trabalhadores essenciais durante a pandemia de covid-19, mas não foram prioritárias para a vacina, apesar da extrema exposição. Objetivo investigar as vivências subjetivas das pessoas que operaram caixas e que trabalharam durante a pandemia de covid-19. Métodos estudo descritivo, exploratório, de abordagem qualitativa. Entrevistas semiestruturadas foram realizadas on-line com operadores de caixa de ambos os sexos, de junho a outubro de 2021. O recrutamento ocorreu em um grupo do Facebook da categoria. A análise temática compreensiva fundamentou-se na psicodinâmica do trabalho. Resultados o trabalho de operação de caixa de supermercado é precário. A pandemia provocou cansaço, exaustão emocional, tristeza. A exposição ao público causou percepção do risco de contaminação, medo, intensificação das tensões preexistentes com clientes e gestores. A categorização “trabalho essencial” associada a não priorização na vacinação mobilizou raiva, sentimento de injustiça, desvalorização e desamparo. A falta de reconhecimento acentua o sofrimento, leva à desmobilização subjetiva, abala a identidade e deteriora a saúde mental. Conclusão evidenciou-se a necessidade de dar a palavra, em contexto terapêutico e no espaço público coletivo, viabilizando a politização do discurso.Abstract Introduction supermarket cashiers were considered essential and worked during the COVID-19 quarantine, but were not prioritized for the vaccine despite extreme exposure. Objective to investigate the subjective experiences of cashiers during the covid-19 pandemic. Methods descriptive, exploratory study with a qualitative approach. The subjects were cashiers of both sexes, from June to October 2021. Semi-structured interviews were conducted online to explore subjective aspects of the work. The recruitment took place in a Facebook group of the category. The comprehensive thematic analysis was based on the psychodynamics of work. Results supermarket cashier work is precarious. The pandemic caused fatigue, emotional exhaustion, sadness. Exposure to the public caused a perception of risk contamination, fear, intensification of preexisting tensions with customers and managers. The categorization of “essencial work” associated with not prioritizing vaccination mobilized anger, feelings of injustice, devaluation and helplessness. The lack of recognition accentuates suffering, leads to subjective demobilization, undermines identity and deteriorates mental health. Conclusions it is necessary to give the word, in a therapeutic context and in the collective public space, to people who work in supermarket cashier operations, enabling the politicization of the discourse.
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Lima, L. C., & Alda, J. V. (2024). Trabalhadoras essenciais abandonadas: psicodinâmica do trabalho e saúde mental de caixas de supermercado durante a pandemia de covid-19. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, 49. https://doi.org/10.1590/2317-6369/28222pt2024v49edsmsubj8
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