Memórias de um regresso anunciado

  • Torres Moreira F
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Ryszard Kapuscinski, jornalista polaco, convocado para testemunhar e relatar a “ponte aérea” do império colonial português, em Luanda, no ano de 1975, publica Mais um dia de vida, Angola 1975 ([1976] 2015), uma narração dos primeiros movimentos dos desterrados de Angola e dos primeiros passos para a descolonização, sob a ótica jornalística de alguém estrangeiro à trama colonial portuguesa. Trata-se de um “documento único” e de um “relato de viagem por uma cidade que apenas existiu três meses: a Luanda entre o êxodo português e a proclamação da independência pelo MPLA” (Kapuscinski 7). Mais de 40 anos depois do 25 de abril, Dulce Maria Cardoso, na obra ficcional O retorno (2012), apresenta o jovem Rui, nos mesmos últimos dias de Luanda em trânsito para uma pátria que não reconhece como sua, onde a problemática identitária é central. Numa análise das obras de Kapuscinski e de Cardoso, sob a ótica dos conceitos de memória e “desmemória”, indaga-se sobre a relação entre história e literatura e as repercussões que esta possa ter no entendimento do passado colonial, ainda doloroso e controverso, nos tempos atuais.

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Torres Moreira, F. A. (2021). Memórias de um regresso anunciado. Memoria y Narración. Revista de Estudios Sobre El Pasado Conflictivo de Sociedades y Culturas Contemporáneas, (2), 123–130. https://doi.org/10.5617/myn.8668

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