Abstract
Neste artigo, desenvolvo o conceito de criança a partir de uma perspectiva que privilegia analisar, em imagens fílmicas, não uma vontade de verdade sobre a criança, mas uma vontade de potência afirmativa da criança. Num primeiro momento, apresento a distinção entre vontade de verdade (de saber) sobre a criança e vontade de potência afirmativa da criança. Em seguida, baseada em autores como Foucault, Badiou e Xavier, trago algumas discussões de cunho metodológico sobre o conceito de imagem, relacionando-as com o meio cinematográfico. Apóio-me em leituras que abordam tal conceito como integralmente afastado de noções de representação e de perspectivas que procedem como se a imagem pudesse dar conta, apreender em si um "real" que lhe é exterior. Por fim, discuto brevemente alguns filmes e a forma como eles nos lançam ao universo da criança-potência e à dispersão da imagem: ao universo da criação, do novo e do imprevisível.En este artículo, desarrollo el concepto del niño a partir de una perspectiva que privilegia analizar, en imágenes filmadas, no una voluntad de verdad a respecto del niño, mas una voluntad de potencia afirmativa del niño. En un primer momento, presento la diferencia entre voluntad de verdad (de saber) sobre el niño y voluntad de potencia afirmativa del niño. Enseguida, fundamentada en autores como Foucault, Badiou y Xavier, traigo algunas discusiones de carácter metodológico sobre el concepto de imagen relacionándolas con el medio cinematográfico. Me apoyo en lecturas que abordan tal concepto como integralmente apartado de nociones de representación y de perspectivas que proceden como si la imagen pudiera dar cuenta, aprender en sí un "real" que le es exterior. Por fin, discuto brevemente algunos filmes y la forma como ellos nos lanzan al universo del niño potencia y a la dispersión de la imagen: al universo de la creación, de lo nuevo y de lo imprevisible.In this article, I develop the concept of the child by analysing, by means of film images, not a wishful truth about the child, but rather the child's desire for affirmative power. First, I present the distinction between wishful truth (for knowledge) about the child and the child's desire for affirmative power. Then, based on authors such as Foucault, Badiou and Xavier, I present some methodological conclusions about the concept of image, relating them to the world of cinema. My arguments are based on texts that deal with this concept as something completely distanced from notions of representation and perspectives that function as if the image were able to capture in itself a "something real" that is external to itself. Finally, I briefly discuss some films and the way in which they pitch us into the universe of child-power and the dispersion of the image: from the universe of creation, the new and the unpredictable.
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Marcello, F. de A. (2008). Cinema e educação: da criança que nos convoca à imagem que nos afronta. Revista Brasileira de Educação, 13(38), 343–356. https://doi.org/10.1590/s1413-24782008000200011
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