Abstract
Introdução: O contato cada vez mais íntimo e constante com as tecnologias de informação e comunicação na sociedade contemporânea representa um vínculo indissociável entre o homem e a mídia digital. Diversos estímulos neurais, comportamentais, sociais e visuais estão envolvidos na comunicação da criança e do adolescente com o conteúdo expresso em meios eletroeletrônicos de uso diário. É sabido que essa interação cada vez mais precoce e intensa está relacionada com prejuízos e disfunções neurobiológicos, a exemplo: o Transtorno o do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), umas das doenças mais comuns na infância, podendo chegar a 15% de prevalência, sendo esta maior quanto maior a idade. Objetivo: Identificar os fatores relacionados e quais suas implicações na utilização prolongada das mídias digitais com o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade em crianças e adolescentes. Metodologia: Realizou-se uma revisão de literatura nas bases de dados científicos scielo, pubmed, bireme, UpToDate e bmj best practice, nos quais foram selecionados 12 artigos no intervalo cronológico de 2015 – 2020. Resultados: A frequência aumentada do uso de internet está relacionado à diminuição da capacidade verbal e diminuição generalizada do volume cerebral. Distúrbios referentes ao processamento da linguagem, memória, aprendizado, atenção, impulsividade e funções executivas estão relacionados com alterações hipotróficas presentes na região perisilviana esquerda, hipocampo e córtex pré-frontal lateral, em contraponto com a hiperestimulação do córtex órbito frontal. Esses achados estão associados ao processo de diminuição da neuroplasticidade e decréscimo dos níveis de dopamina, existindo assim, uma relação causal entre o uso de telas digitais e as manifestações clínicas de TDAH principalmente na faixa etária escolar e adolescente. Outras condições adversas estão presentes, como: inibição social, alterações do sono, distúrbios visuais, alteração postural e picos de ansiedade seguidos de episódios depressivos. Conclusão: Diante disso, é possível inferir que o TDAH é uma doença prejudicial ao neurodesenvolvimento infantil uma vez que interfere no funcionamento biológico cerebral acarretando em alterações anatômicas e neuroquímicas. Além disso, trás consigo, frequentemente, outros transtornos psiquiátricos comórbidos que interferem negativamente nas relações sociais tornando ainda mais desafiador seu processo de acompanhamento e tratamento.
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Oliveira, R. C. de, Silva, J. V. da, & Cardoso, V. L. de S. (2021). TDAH e o uso prolongado das mídias sociais / ADHD and the prolonged use of social media. Brazilian Journal of Health Review, 4(1), 2425–2434. https://doi.org/10.34119/bjhrv4n1-194
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