A relação entre marcadores inflamatórios e depressão: uma revisão da literatura

  • Almeida D
  • Mota S
  • Mesquita D
  • et al.
N/ACitations
Citations of this article
17Readers
Mendeley users who have this article in their library.

Abstract

A depressão é uma doença psiquiátrica que está cada vez mais persistente no mundo todo. Foi descrita pela primeira vez na Antiguidade e está até hoje tendo uma grande incidência de casos. Não se sabe ao certo sua fisiopatologia, porém nota-se cada vez mais que é um mal de causa multifatorial. A partir de muitos estudos realizados, já se sabe que existe uma diminuição na quantidade de neurotransmissores, como serotonina e dopamina, em relação a pacientes saudáveis. Esses neurotransmissores influenciam nossas emoções, aprendizado, humor e atenção e sua falta pode gerar o humor triste persistente. Seguindo essa lógica, estudos mais recentes demostram um aumento da quantidade de marcadores inflamatórios, como citocinas, interleucinas e PCR (proteína C-reativa), que podem atrapalhar o metabolismo de vitamina B, por exemplo, o que reduz a distribuição de serotonina, prejudicando o prognóstico de pacientes diagnosticados com transtorno depressivo. Em tais estudos, a presença exacerbada desses marcadores inflamatórios, principalmente IL-6, PCR, TNF e IL-1β, tem sido relacionada à existência de sintomas depressivos, como fadiga e sono prejudicado. Porém, em estudos contrários à teoria que relaciona a desregulação imunitária à depressão, a inflamação é explicada como fator decorrente de comportamentos associados a comorbidades relacionadas à depressão, como obesidade e doenças cardiovasculares. No que tange ao tratamento da depressão, os antidepressivos são utilizados em larga escala, sendo prescritos também para outras doenças. O uso inadequado e em excesso de tal medicamento é frequente e pode ocasionar diversos efeitos colaterais, como alta cardiotoxicidade, o que, segundo estudos, pode levar ao aumento dos marcadores inflamatórios sistêmicos, conforme o tipo de medicamento. Nesses estudos, o uso de antidepressivos tricíclicos (ADTs) resultariam em altos níveis de marcadores inflamatórios. Em contrapartida, outros estudos contrários demonstram que o uso de inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS) estaria relacionado à redução dos níveis de marcadores inflamatórios. Diante dessas divergências, novos estudos são feitos, a fim de relacionar o aumento no número de marcadores inflamatórios ao desenvolvimento da depressão, que deve ser investigado para ser utilizado como biomarcador clínico para depressão, contribuindo para o diagnóstico, monitoramento, prognóstico e tratamento da doença de forma eficaz.

Cite

CITATION STYLE

APA

Almeida, D. B., Mota, S. C. B., Mesquita, D. da S., & Honório Júnior, J. E. R. (2020). A relação entre marcadores inflamatórios e depressão: uma revisão da literatura. Scire Salutis, 11(1), 84–97. https://doi.org/10.6008/cbpc2236-9600.2021.001.0010

Register to see more suggestions

Mendeley helps you to discover research relevant for your work.

Already have an account?

Save time finding and organizing research with Mendeley

Sign up for free