Abstract
Neste artigo nos propomos a analisar duas manifestações fundamentais da arte urbana da cidade do Rio de Janeiro, entendendo-as como narrativas anti-canônicas da cidade- as Rodas Culturais e os Bailes Funk, produzidas por sujeitos advindos das periferias cariocas. Buscaremos refletir sobre as constantes dificuldades impostas pelo poder público à realização destas intervenções, assim como detectar e analisar as táticas usadas por esses sujeitos para suplantar essas dificuldades e colocar em circulação a sua arte. No Rio, o silenciamento dessas expressões dá-se pela proibição de Bailes Funk nas favelas e pela repressão à ocupação do espaço público pelas Rodas Culturais. Entretanto, dado que o campo da cultura se apresenta como processo, tal situação de silenciamento não se fixa: se há fronteiras simbólicas e reais restringindo o fazer artístico desses jovens, elas também produzem contranarrativas em que ficam explícitas as inovadoras maneiras de criar arte em contexto de criminalização. A ação desses sujeitos periféricos tem trazido à cena cultural carioca trocas, hibridismos, experimentações variadas que encontram nas quadras, ruas e praças um lugar de acolhimento.
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Alves Gonçalves, R. (2018). A cultura urbana periférica – silenciamentos e táticas. SOLETRAS, (36), 34–50. https://doi.org/10.12957/soletras.2018.34425
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