Matéria das Astúrias Ritmos e realizações da expansão asturiano-leonesa no actual centro de Portugal (séculos VIII-X)

  • Fernandes P
N/ACitations
Citations of this article
6Readers
Mendeley users who have this article in their library.

Abstract

Há muitas formas de caracterizar o século VIII. Neste estudo, pretendi esclarecer o real alcance dos agentes de Córdova e de Oviedo no Ocidente peninsular e discutir a importante acção de berberes e de moçárabes naquele primeiro século do Emirato de Córdova e do reino das Astúrias. O resultado final é um contributo para a definição de um panorama mais rigoroso acerca de um século sobre o qual se sabe ainda tão pouco. Esclarecidas as “fronteiras” (ou a sua ausência) entre os blocos civilizacionais que, na Idade Média, protagonizaram a (re)conquista, pretendi estudar a forma como os agentes colonizadores asturianos e leoneses se instalaram no espaço entre os rios Douro e Mondego, a partir da segunda metade do século IX. Assumindo que existiram terras de ninguém - no sentido em que, durante muito tempo, largas faixas da Península Ibérica não estiveram vinculadas a poderes delegados de Córdova ou de Oviedo-León e que, por isso, mantiveram ou criaram fórmulas específicas de auto-regulação - concluo que a acção colonizadora setentrional terá sido tendencialmente pacífica (sem que subsista notícia acerca de enfrentamentos militares pela posse do território) e de uma extraordinária amplitude geográfica, que abarca praticamente todo a área entre o rio Côa e o Oceano Atlântico, e entre o rio Douro e regiões mais difusas a Sul da Serra da Estrela e do rio Mondego. Esta dinâmica colonizadora globalizante em direcção ao actual centro de Portugal, que a documentação da época situa sobretudo numa faixa ocidental mais litoral, entre Santa Maria da Feira e Coimbra, conhece-se especialmente graças aos contributos da História da Arte e da Arqueologia. No vasto território interior entre Penacova e Numão, entre Arouca e Trancoso, subsistem os vestígios materiais mais impressivos da primeira expansão do bloco cristão setentrional sobre o Ocidente peninsular. Neste âmbito, S. Pedro de Lourosa continua a ser a principal referência construtiva (enriquecida, em anos recentes, com novas e problemáticas leituras sobre o que representa). Mas a análise territorial mais profunda, que tive ocasião de sintetizar, reafirma a verdadeira importância de outros locais, como S. Pedro de Balsemão, o Mosteiro de Fráguas, S. Martinho da Várzea de Lafões, a Sé de Viseu, o castelo de Trancoso, a Senhora do Barrocal, a igreja do Prazo, e um número crescente de sítios onde os agentes asturianos e leoneses deixaram registo material da sua instalação. Durante século e meio, diferentes vagas da expansão asturiana e leonesa alteraram profundamente a paisagem construída do território. Entre os agentes da colonização conta-se um príncipe, um rei, diversas famílias condais, bispos, comunidades monásticas, presbíteros e um número indeterminado de homens e mulheres livres, atraídos pelas possibilidades oferecidas por toda uma região a presuriar. Os dados reunidos nesta tese asseguram ao centro do actual território de Portugal continental o estatuto de capítulo essencial para a história dos reinos de Astúrias e de Leão. Foi aqui que aquelas unidades políticas mais se expandiram para Sul até finais do século X. E é aqui que se encontram materiais em quantidade e qualidade inequívocas da sua presença.

Cite

CITATION STYLE

APA

Fernandes, P. A. (2020). Matéria das Astúrias Ritmos e realizações da expansão asturiano-leonesa no actual centro de Portugal (séculos VIII-X). Kairós, (6), 54–59. https://doi.org/10.14195/2184-7193_6_5

Register to see more suggestions

Mendeley helps you to discover research relevant for your work.

Already have an account?

Save time finding and organizing research with Mendeley

Sign up for free