Abstract
" Dificilmente se pode encontrar uma instituição tão assemelhada à face mitológica de Jano como a ajuda externa " (Hirschman, 1971, tradução das autoras) INTRODUÇÃO A conformação de campos científicos tem sido, em grande medida, uma tarefa realizada por algumas agências de fomento, denomi-nadas internacionais. As agências internacionais foram adquirindo prestígio, cada vez mais reconhecidas como atores importantes em seus países de origem e também fora deles, influenciando a formação de distintas áreas do conhecimento. A atuação dessas agências, em grande medida, tem se dado a partir da idéia de cooperação internacional, o que na teoria significa troca de sa-beres entre os financiadores e os receptores da doação, e na prática um interesse no estado da arte da ciência em diferentes países. A coopera-ção internacional é um fenômeno em expansão, isto é, cresce com as ati-vidades científicas. Pesquisadores de países em desenvolvimento têm se beneficiado dessa cooperação na medida em que a colaboração en-volve um número significativo de programas – desde pesquisas na área de ciência, de tecnologia, conferências e reuniões científicas, com-pras de equipamentos, formação profissional e a concessão de bolsas de estudos para instituições estrangeiras. Desde contribuições clássicas como as de Jaguaribe (1967) e Hirschman (1971) até estudos mais recentes (Velho, 1997), têm-se afir-mado que a cooperação internacional pode favorecer a transferência de recursos materiais e humanos dos países desenvolvidos para os paí-ses em desenvolvimento. Esta forma de incentivo é importante para a instalação de um setor científico em países menos favorecidos. Além disso, a cooperação a partir de blocos regionais, ou seja, a implementa-ção de programas de cooperação científica e tecnológica entre países de uma determinada região, vem sendo uma prática incentivada pelas agências internacionais com o objetivo, segundo a autora, de tentar so-lucionar deficiências individuais, a partir do desenvolvimento conjun-to das economias e com benefícios eqüitativamente distribuídos entre as nações envolvidas na cooperação (idem). A cooperação científica apontada como ferramenta necessária para o avanço da ciência no mundo contemporâneo, especialmente pós-Se-gunda Guerra Mundial, foi mudando seu estilo de atuação, especial-mente nas últimas três décadas. A cooperação internacional tem se pautado por estilos de ação diferenciados conforme os interesses das agências de fomento e a correlação de forças internas nos países onde atuam. É desta forma que hoje se evidencia uma cooperação mais vol-tada para programas de desenvolvimento sustentável dos recursos na-turais, saúde reprodutiva, direitos humanos, habitação, além de cam-panhas de prevenção contra o Vírus da Imunodeficiência Adquirida – HIV/AIDS, tentando incentivar a participação e o desenvolvimento de comunidades locais. Esta é uma orientação inaugurada por agên-cias internacionais como a Fundação Ford, como se verá mais adiante.
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Faria, L., & Costa, M. C. da. (2006). Cooperação científica internacional: estilos de atuação da Fundação Rockefeller e da Fundação Ford. Dados, 49(1), 159–191. https://doi.org/10.1590/s0011-52582006000100007
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