Abstract
O artigo realiza uma análise do “racismo de classe”, seguindo a formulação proposta por Jessé Souza, produzido pelas “elites brasileiras” nas suas representações acerca dos fenômenos dos pobres e da pobreza. Na primeira parte, procedemos a uma fundamentação sociológica da noção de racismo de classe, com base nos trabalhos de Pierre Bourdieu e Norbert Elias. Na segunda parte, analisamos o racismo de classe à brasileira, isto é, as particularidades assumidas pelo racismo de classe no Brasil. Sustenta-se que o racismo de classe constitui-se como uma reação das elites à ascensão a certas esferas de consumo por parte de segmentos mais pobres da população brasileira, notadamente os batalhadores. Na terceira parte, analisamos propriamente algumas manifestações do racismo de classe veiculadas na mídia – seja por jornalistas, ou manifestações anônimas produzidas diretamente por membros das elites. Demonstra-se que o racismo de classe opera uma associação entre a pobreza e a vagabundagem, a falta de inteligência e a ausência de modos de conduta distintos e civilizados. Por fim, propomos o conceito de “pobreza arcana”, compreendido como o fenômeno de exaltação dos signos da pobreza e de ocultamento das suas origens, defendendo a necessidade de uma análise relacional para o fenômeno da pobreza-riqueza.
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Voigt, L., & Pagani Junior, V. L. (2019). O “racismo de classe”: Representações elitistas sobre os pobres e a pobreza no Brasil. Mediações - Revista de Ciências Sociais, 24(2), 227. https://doi.org/10.5433/2176-6665.2019v24n2p227
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