Abstract
INTRODUÇÃO O tema proposto para o debate nos desafia a refletir, de imediato, sobre duas questões polêmicas que preocupam hoje as comunidades científicas, a saber: o problema da interdisciplinaridade e a questão do meio ambiente. O grande desenvolvimento das diferentes ciências particulares, durante este século, contribuiu para grandes avanços científicos e tecnológicos, mas também levou a uma extrema especialização do saber, cuja conseqüência é, freqüentemente, o comprometimento do próprio entendimento do mundo. A possibilidade de os saberes antigos sucumbirem aos saberes novos faz com que os prisioneiros de uma visão imobilista corram o risco de ficar à deriva diante da tarefa de interpretação do presente. A denominada crise ambiental a que hoje assistimos padece dessa situação e deve suscitar uma revisão das teorias e práticas das diversas disciplinas na medida em que demanda uma análise compreensiva, totalizante, uma análise na qual as pessoas, vindas de horizontes diversos e que trabalhem com a realidade presente, tenham o seu passo acertado através do mundo, através de um legítimo trabalho interdisciplinar. Concordamos, também, com Paulo Vieira (1992, p. 103), quando ele diz que " os problemas implicados na crise do meio ambiente se caracterizam pelo fato de exigirem para sua confrontação efetiva novos padrões de organização das comunidades científicas " . Como oferecer subsídios para uma epistemologia da questão do meio ambiente que contribuam para esse enfoque interdisciplinar? Mas o que é esse trabalho interdisciplinar? As disputas mantidas, desde o século passado, " pelo monopólio do objeto de estudo " (IGLESIAS; ALICIA, 1994, p. 5) e o decorrente isolamento das disciplinas perderam significado em função da complexidade dos dias atuais. Para alcançarmos uma interdisciplinaridade válida precisamos partir de metadisciplinas, o que nos obriga a nos inclinar diante da história contemporânea. Do contrário, chegaríamos a uma interdisciplinaridade coxa, fundada em um afã de especialidade extrema, com todos os perigos da analogia do tipo mecânico. Não levar em conta a multiplicidade de prismas sob os quais se apresenta aos nossos olhos uma mesma realidade pode conduzir à construção teórica de uma totalidade ©INTERFACEHS – Revista de Gestão Integrada em Saúde do Trabalho e Meio Ambiente -v.1, n.1, Trad 1, ago 2006 www.interfacehs.sp.senac.com.br
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Santos, M. (2008). A questão do meio ambiente: desafios para a construção de uma perspectiva transdisciplinar. GeoTextos, 1(1). https://doi.org/10.9771/1984-5537geo.v1i1.3033
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