O poder das organizações

  • Pombeiro J
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Abstract

PAGÉS, Max et al. O poder das organizações. São Paulo: Atlas, 1993 O poder das organizações é o resultado de uma pesquisa realizada por Pagés e seus colegas com a finalidade de analisar como ocorrem os fenômenos de poder nas organizações, visando elaborar um quadro teórico que permita uma melhor compreensão do fenômeno. Essa pesquisa foi efetuada, principalmente, numa filial européia de uma grande empresa multinacional americana, apelidada de TLTX. Este estudo é dirigido às empresas que os autores chamam de "hipermodernas", porque é nelas que são exacerbados os processos de mediação. Trata-se de organizações que dispõem de sistemas que viabilizam a intermediação entre suas ações de exploração e dominação e as vantagens e benefícios oferecidos aos indivíduos, de tal forma que essa contradição é minimizada e os que nela trabalham até colaboram para sua própria submissão. De imediato, nota-se claramente a posição ideológica dos autores ante o sistema capitalista e o poder que este exerce sobre os indivíduos. Essa abordagem pressupõe, a priori, a existência de um conflito na sociedade e, conseqüentemente, nas organizações. Segundo Carvalho (1998), as duas correntes de pensamento que se destacam na visão conflituosa da vida social são: a corrente marxista − cujo centro das atenções é a luta de classes, vista como a origem de todos os demais conflitos − e a corrente liberal e algumas revisões marxistas, que destacam a instância superestrutural, onde estaria a base do conflito. Na introdução, os autores apresentam uma visão do sistema de poder da TLTX, elaborada a partir de diversas entrevistas e seminários com os empregados da empresa, destacando claras contradições nos discursos das pessoas, que ora enaltecem a organização, ora contrapõem uma observação negativa, como por exemplo, ao dizer "acredito piamente nos grandes princípios da empresa, mas são aplicados imperfeitamente" ou "o poder da organização nos dá segurança, mas é duro". Para que as pessoas possam conviver com essas contradições, com esse discurso fragmentado e com o permanente conflito interno, são propostos quatros processos de mediação. A mediação econômica é representada pelos altos salários e pela abertura da carreira. A mediação política garante o respeito às diretrizes centrais da empresa, ao mesmo que assegura o desenvolvimento da iniciativa individual. A mediação ideológica gera a identificação entre o indivíduo e a organização, quando aquele absorve a ideologia elaborada pela esta. Já a psicológica possibilita que os privilégios e as restrições (coerções) impostas pela empresa se transformam em prazer e angústia das pessoas que trabalham na organização. Esses processos de mediação são os mecanismos que as empresas hipermodernas, ou seja, as organizações multinacionais e/ou transacionais utilizam para antecipar e/ou prevenir conflitos que possam afetá-las. As contradições entre as pessoas e a organização, como também dos próprios indivíduos e da própria empresa, podem levar ao conflito que o processo de mediação entre esses atores vai minimizar, da mesma forma que 1 Mestre em Gestão Empresarial pela EBAPE/FGV. Endereço: Av Mal.Floriano, 19/5 andar-Centro-Rio de Janeiro/RJ-20080-003. E-mail: pombeir@eletrobas.com.

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Pombeiro, J. P. (2006). O poder das organizações. Cadernos EBAPE.BR, 4(2), 01–06. https://doi.org/10.1590/s1679-39512006000200013

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